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Advogado foi sequestrado pelo PCC para desistir de ação: "não queria morrer"

Operação do Gaeco e da PM mirou sete investigados por organização criminosa, sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra criminalista na Baixada Santista.

Advogado foi sequestrado pelo PCC para desistir de ação: "não queria morrer"
Um advogado criminalista teria sido sequestrado e submetido a ameaças e tortura por integrantes do PCC - Primeiro Comando da Capital para que desistisse de uma ação judicial e revelasse o endereço de um cliente.

O episódio motivou a Operação Patrocínio Fiel, deflagrada pelo Gaeco do MP/SP e pela Polícia Militar em 12 de agosto.

Segundo o MP/SP, sete investigados foram alvo de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão por suspeita de envolvimento nos crimes de organização criminosa, sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra um advogado da Baixada Santista.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, relatou ter permanecido cerca de seis horas sob o poder dos criminosos e afirmado que concordou em abandonar o processo para conseguir sair do local.

“Eu só não queria morrer, fiquei com medo. Vi o que que era importante na minha vida, o que não era”, afirmou à Folha.

Emboscada

De acordo com o relato de Rafaell à Folha de S.Paulo, o episódio ocorreu na noite de 11 de junho. Ele teria recebido uma ligação de um homem que dizia precisar de serviços advocatícios e, ao chegar a uma comunidade na Vila Esperança, em Cubatão/SP, teria sido levado para um barraco.

Segundo o advogado, cerca de 30 homens estavam no local, enquanto outros 20 participavam remotamente do chamado “tribunal do crime”. Ele afirmou ainda que havia pessoas embalando drogas enquanto o julgamento ocorria.

Rafaell contou que os criminosos inicialmente exigiram o endereço de seu cliente. Diante da recusa, teriam acessado o celular do advogado, encontrado arquivos pessoais e ameaçado divulgar o conteúdo caso ele não desistisse da ação.

O processo que teria motivado as ameaças, conforme explicou o criminalista ao jornal, envolvia uma disputa relacionada a uma empresa de pesca no Guarujá/SP. Segundo Rafaell, seu cliente alegava ter sido retirado da sociedade por um suposto integrante da facção sem receber indenização.

Após concordar em deixar a causa, o advogado foi liberado. Ele efetivamente abandonou o processo, mas posteriormente denunciou o episódio ao Gaeco.

“Uma sensação de injustiça, porque estavam fazendo comigo uma coisa ilegal até no mundo do crime”, disse à Folha.

Rafaell também afirmou ao jornal que teme pela própria vida e está em processo de mudança por questões de segurança.

Operação Patrocínio Fiel

Segundo informações oficiais do MPSP, a Operação Patrocínio Fiel cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, no Estado de São Paulo, além de Florianópolis/SC.

As diligências alcançaram residências dos investigados, estabelecimentos comerciais relacionados ao grupo e o imóvel apontado como local onde o advogado teria sido mantido em cativeiro.

De acordo com o Ministério Público paulista, os alvos foram identificados como integrantes do PCC e a operação buscou interromper a atuação do grupo, preservar a integridade da vítima e obter provas para o prosseguimento das investigações. O Gaeco de Santa Catarina também participou das diligências.

As apurações prosseguem sob sigilo.
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